Existe um perigo nas instalações elétricas industriais que não apita, não pisca e não dá sinais de alerta.
Ele raramente aparece em inspeções visuais de rotina. Não costuma ocupar espaço nas conversas diárias sobre segurança. E, quando acontece, tudo se resolve em frações de segundo.
Esse perigo tem nome: arc flash ou arco elétrico.
O que é arco elétrico
O arco elétrico ocorre quando a corrente elétrica encontra um caminho não previsto, geralmente pelo ar, entre condutores ou entre um condutor e o aterramento. O resultado é uma liberação súbita e extremamente violenta de energia.
Em um único evento, podem ocorrer temperaturas superiores a 20.000°C, ondas de pressão capazes de arremessar uma pessoa a vários metros de distância, projeção de partículas metálicas vaporizadas e uma intensidade luminosa suficiente para causar cegueira instantânea.
Tudo isso em menos de um segundo.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo a ABRACOPEL, o Brasil registrou 2.373 acidentes elétricos em 2024, com 759 mortes. O volume representa um aumento de 12,6% em relação ao ano anterior. Uma parcela relevante desses acidentes está associada a arcos elétricos, um dos eventos com maior potencial para provocar lesões graves e fatalidades.
Por que o arco elétrico ainda é subestimado
Grande parte das estratégias de segurança elétrica foi construída para prevenir o choque elétrico, que exige contato com uma parte energizada.
O arco elétrico segue outra lógica.
Ele pode ocorrer durante uma manobra operacional, uma inspeção em painel energizado ou até como consequência da degradação natural do isolamento de um equipamento.
Não há necessidade de contato físico.
Na prática, isso significa que um profissional treinado e equipado para proteção contra choque elétrico pode continuar vulnerável a um evento de arco elétrico caso a instalação não tenha passado por um estudo de energia incidente.
Por isso, existe uma pergunta que todo gestor de manutenção deveria conseguir responder com precisão:
Você sabe qual é a energia incidente em cada painel da sua instalação?
O que a norma exige
A revisão mais recente da NR 10, aprovada pela CTPP em dezembro de 2025, reforçou a importância da avaliação técnica dos riscos relacionados ao arco elétrico.
Mais do que uma recomendação, o estudo de energia incidente passa a ocupar um papel central na demonstração de conformidade das instalações.
Esse estudo gera três entregas fundamentais.
Energia incidente por ponto
Cada painel, cubículo ou equipamento recebe um valor calculado em cal/cm² com base na metodologia IEEE 1584.
O cálculo considera fatores como corrente de curto circuito, tempo de atuação dos dispositivos de proteção e distância de trabalho.
Especificação adequada dos EPIs
Sem conhecer a energia incidente, não é possível definir tecnicamente qual vestimenta retardante a arco deve ser utilizada.
Na prática, um EPI subdimensionado oferece uma falsa sensação de segurança e pode falhar exatamente quando mais se precisa dele.
Identificação e sinalização dos riscos
O estudo também determina a Arc Flash Boundary, a distância limite de aproximação na qual a energia incidente atinge 1,2 cal/cm², valor associado ao limiar de queimaduras de segundo grau.
Essas informações devem estar claramente sinalizadas nos equipamentos para orientar a atuação das equipes.
O papel da tecnologia de proteção
Realizar o estudo é apenas o primeiro passo.
O segundo é reduzir o risco identificado.
Quando determinados pontos apresentam níveis elevados de energia incidente, a solução não deve se limitar à adoção de EPIs mais robustos. A medida mais eficaz é reduzir a própria energia liberada durante o evento.
Isso exige sistemas de proteção mais rápidos.
A SEL, representada pela Wacker Representações, utiliza sensores de luz de arco elétrico integrados à proteção de sobrecorrente de alta velocidade. O sistema detecta o evento e envia o comando de abertura do disjuntor em até 2 milissegundos.
Quanto menor o tempo de atuação, menor a energia liberada.
E quanto menor a energia incidente, menores os danos aos equipamentos, menor a exposição dos trabalhadores e mais simples tende a ser a exigência de proteção individual.
Outro diferencial é a possibilidade de retrofit em painéis existentes, permitindo elevar o nível de segurança sem a necessidade de substituição completa dos equipamentos instalados.

Estudo de risco não é custo. É informação para tomada de decisão.
Indústrias, concessionárias, cooperativas de energia e grandes consumidores conectados ao Grupo A convivem diariamente com o risco de arco elétrico.
A diferença entre uma instalação mais segura e uma instalação mais vulnerável não está na eliminação do risco. Está na capacidade de medi-lo, compreendê-lo e agir com base em dados técnicos.
O estudo de energia incidente oferece exatamente essa visibilidade.
Sem ele, a gestão da segurança elétrica opera sem uma referência objetiva sobre o nível real de exposição presente na instalação.
A Wacker Representações atua no Sul do Brasil representando a SEL e apoiando equipes técnicas na avaliação de soluções para mitigação dos riscos de arco elétrico.
Se a sua operação busca elevar o nível de proteção elétrica e adequação normativa, vale a pena iniciar essa conversa.