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Eletrificação rural e agronegócio no RS: infraestrutura para uma demanda que cresce

O agronegócio é o motor da economia gaúcha, e há um insumo que deixou de ser coadjuvante na produção: a energia elétrica. Ela está ao lado do diesel e do fertilizante na lista de itens que definem se a safra rende ou não. A diferença é que, ao contrário do tanque de combustível, a energia depende de uma rede construída décadas atrás, dimensionada para um campo que já não existe.

Essa defasagem entre a fazenda moderna e a infraestrutura que a alimenta é hoje um dos temas mais estratégicos do interior do Rio Grande do Sul. E é nele que se concentra boa parte do esforço de quem trabalha com geração, transmissão e distribuição de energia no Estado.

A demanda que mudou de patamar

A propriedade rural de hoje consome energia de um jeito que a de vinte anos atrás não consumia. Pivôs de irrigação, resfriamento de leite, secagem e armazenagem de grãos, aviários climatizados, ordenha automatizada e até a conectividade que sustenta a agricultura de precisão: tudo isso roda com eletricidade. Segundo análise publicada pelo portal SouAgro, uma queda de poucas horas em certas atividades já significa prejuízo imediato, com paralisação de pivôs, descarte de leite por falha de refrigeração, mortalidade em granjas e deterioração de grãos durante a secagem.

O pano de fundo é uma economia agrícola em recuperação. Dados do Cepea/Esalq e da CNA mostram que o PIB da agropecuária brasileira acumulou alta de 11,6% nos três primeiros trimestres de 2025, com a safra de grãos voltando a superar 320 milhões de toneladas. A irrigação, em particular, puxa a curva de consumo: a área irrigada do país já passa de 8 milhões de hectares e segue avançando, o que eleva a demanda por uma energia estável e previsível, conforme a mesma reportagem.

No campo, portanto, energia não é mais sinônimo de iluminar a casa. É força para mover motores, e força exige rede à altura.

O gargalo das redes monofásicas

Boa parte das linhas que chegam ao interior gaúcho foi construída para energizar a propriedade, não para sustentar um parque de máquinas. O superintendente da Fecoergs, José Zordan, resumiu o desafio do meio rural em uma frase: energia em quantidade e com qualidade. Segundo ele, cerca de 60% das redes nesse ambiente são monofásicas, instaladas há duas ou três décadas, quando o consumo era muito diferente do atual.

Uma rede monofásica simplesmente não entrega a potência que um sistema de irrigação ou uma agroindústria precisa. O resultado aparece na ponta: oscilações, quedas frequentes, equipamentos novos que não podem ser instalados e produtividade represada. Onde a rede não acompanha o investimento da porteira para dentro, o pivô fica parado.

A resposta gaúcha vem das cooperativas

O Rio Grande do Sul tem uma vantagem histórica para enfrentar esse problema: foi aqui que nasceu, em 1941, a primeira cooperativa de eletrificação rural do Brasil, no distrito de Quatro Irmãos, hoje Erechim. Daquela semente cresceu um sistema que segue vivo. O Sistema Fecoergs reúne 24 cooperativas de distribuição e geração, atende áreas rurais de 369 municípios e beneficia mais de um milhão de gaúchos, investindo na ordem de R$ 500 milhões por ano em manutenção, operação e expansão de redes.

Esse arranjo cooperativado é a base de uma das políticas públicas mais bem-sucedidas do setor no Estado. Lançado em 2020, o programa Energia Forte no Campo qualifica as redes rurais sobretudo pela conversão para o padrão trifásico, sempre em parceria com as cooperativas. Os números das quatro primeiras fases, divulgados pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), dão a dimensão do esforço: 972,9 quilômetros de linhas trifásicas construídas em 123 municípios, com R$ 19,95 milhões de contrapartida estadual alavancando R$ 102,14 milhões em obras. O programa já beneficiou 12,4 mil propriedades e foi reconhecido com prêmio nacional em Brasília.

A quinta fase, lançada durante a Expointer 2025, ampliou o jogo. Conforme a Sema, o repasse estadual saltou para R$ 71,3 milhões, o maior já destinado ao programa, e a participação do Estado subiu de 20% para até 35%. Mais relevante do ponto de vista técnico: a etapa passou a incluir projetos de subestações transformadoras e conexões associadas, com aporte que pode chegar a R$ 5 milhões por cooperativa. Ou seja, a discussão deixou de ser apenas sobre o fio que chega ao produtor e passou a englobar a infraestrutura de transformação que dá robustez ao sistema inteiro.

O que uma rede rural moderna exige

Transformar uma rede monofásica antiga em uma rede trifásica confiável não se resume a esticar mais um cabo. É um conjunto de componentes que precisa conversar entre si, cada um com peso na qualidade final do fornecimento.

Começa pela estrutura física, com postes e estruturas de concreto capazes de suportar a nova rede em vão e em carga. Passa pelos condutores adequados a cada trecho e aplicação, da baixa à média tensão. Depende de transformadores de distribuição dimensionados para a demanda real da propriedade, não para a de três décadas atrás. E se apoia em isoladores e para-raios poliméricos, que ganharam espaço sobre o vidro e a porcelana por resistirem melhor às condições do campo e reduzirem a manutenção.

Há ainda a camada de proteção e automação, que é o que separa uma rede que apenas funciona de uma rede que se mantém de pé. Religadores automáticos e equipamentos de smart grid permitem isolar faltas e restabelecer o fornecimento sem que o produtor sequer perceba, derrubando os indicadores de interrupção que tanto pesam na atividade agrícola. Para quem opera sistemas críticos, retificadores, no-breaks e bancos de baterias garantem que a falha na rede não se transforme em parada de processo.

Confiabilidade e qualidade como fator de produtividade

Vale insistir num ponto que costuma passar despercebido: no campo, qualidade de energia é qualidade de produção. Rede subdimensionada gera afundamentos de tensão e harmônicos que castigam motores e eletrônicos, encurtam a vida útil dos equipamentos e elevam a conta. A compensação reativa e os estudos de qualidade de energia, muitas vezes tratados como assunto de indústria pesada, fazem cada vez mais sentido na agroindústria e nas grandes propriedades irrigadas.

O caminho à frente reforça essa lógica. A geração distribuída avança no interior gaúcho, com solar, biogás e pequenas centrais hidrelétricas operadas pelas próprias cooperativas, que já somam dezenas de usinas próprias. Conectar essas fontes com segurança exige proteção, medição e automação à altura. A rede rural do futuro será mais potente, mais distribuída e mais inteligente, e cada uma dessas qualidades nasce de um componente bem especificado.

Um setor que se constrói com parceria

A eletrificação rural gaúcha é uma história de gente que se uniu para resolver, por conta própria, um problema que ninguém ia resolver por ela. Esse espírito segue valendo. Modernizar o campo passa por concessionárias, cooperativas, integradores e produtores trabalhando juntos, e por fornecedores que entendem a particularidade de cada trecho de rede, do poste à proteção.

A Wacker atua nesse ecossistema desde 1967, representando fabricantes de referência em geração, transmissão, distribuição e equipamentos elétricos industriais. Acompanhar a transformação da rede rural do Rio Grande do Sul, levando potência e confiabilidade a quem produz, é parte do trabalho que nos move. Porque, no fim, sustentar o agronegócio gaúcho é sustentar a economia inteira do Estado.

Fontes

https://souagro.net/noticia/2026/02/aumento-da-demanda-por-energia-eletrica-acelera-adocao-de-alternativas/
https://diariodoacre.com.br/aumento-da-demanda-por-energia-eletrica-acelera-adocao-de-solar-biogas-e-baterias/
https://www.fecoergs.com.br/
https://www.fecoergs.com.br/pagina.php?cont=historiaEletrificacao
https://sema.rs.gov.br/programa-energia-forte-no-campo
https://estado.rs.gov.br/governo-ira-repassar-r-71-3-milhoes-para-programa-energia-forte-no-campo
https://estado.rs.gov.br/programa-energia-forte-no-campo-do-governo-eduardo-leite-impulsiona-agronegocio-na-regiao-norte-do-estado
https://www.estado.rs.gov.br/programa-que-leva-energia-trifasica-ao-produtor-rural-recebe-premio-nacional-em-brasilia

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